Investigação

Os grupos de trabalho são criados de acordo com as afinidades das disciplinas e as suas tarefas diferem mediante a categoria do património em estudo, quer seja terrestre ou subaquático em volta da Ilha de Moçambique e áreas circunvizinhas. Desta forma, criam-se condições para o desenvolvimento de uma pesquisa multidisciplinar. Os grupos de investigação multidisciplinar, tem por objectivo encontrar campos de diálogo entre os investigadores dos diferentes grupos de trabalho e organizar projectos variados e com objectivos diversos à volta das temáticas do património cultural e natural. O plano estratégico actual do CAIRIM privilegia a investigação dos locais arqueológicos (terrestres e subaquáticos), contactos culturais e a biodiversidade. Os projectos de investigação no CAIRIM tem em vista estudos a volta das seguintes temáticas:

  • Contactos culturais
  • Escravatura
  • Investigação de arquivo
  • Transformação da paisagem cultural
  • Impacto das alterações climáticas sobre o património
  • Arqueologia de salvaguarda
  • Património Mundial
  • Biodiversidade marinha
  • Conservação artefactual
  • Monitoramento de locais arqueológicos
  • Documentação de tradições culturais
  • Estudo da geomorfologia

Os diversos projectos de investigação criados no CAIRIM são orientados no sentido da promoção do desenvolvimento local, da competência científica e promoção de oportunidades de colaboração local, nacional e internacional.

Desde a sua criação em 2018, o CAIRIM colaborou na realização de diversos projectos:

Estabelecimento de um Centro de Excelência em Protecção e Investigação do Património Cultural Subaquático para Moçambique

A Ilha de Moçambique é uma das regiões mais ricas do mundo em património cultural subaquático. No entanto, é pouco investigado e severamente ameaçado por factores naturais e humanos. Se bem investigado e explorado, poderá, no entanto, constituir um importante veículo socioeconómico para melhorar as condições de vida das comunidades locais através do turismo e da cultura, mas também através da educação e da investigação. O presente projecto procura, assim, melhorar a protecção, a investigação, a inventariação, a formação e a exposição e promoção do património cultural subaquático. Contribuirá para valorizar o património cultural e criar oportunidades de emprego e actividades socioeconómicas, incluindo para a geração mais jovem e para as mulheres. O seu principal objectivo é transformar o actual Centro de Arqueologia, Investigação e Recursos da Ilha de Moçambique (CAIRIM) num Centro Nacional de Excelência em Proteção e Investigação do Património Cultural Subaquático. Um objectivo a longo prazo é criar um Centro Regional Africano de Excelência e um Centro de Categoria 2 da UNESCO. Neste sentido, o projecto tem um objectivo sub-regional de médio a longo prazo. As principais actividades abrangem: sensibilização nacional e regional; a restauração de salas; a criação de um Museu de Naufrágios, de um Laboratório Científico e de uma Base de Mergulho; capacitação e apoio institucional; e o desenvolvimento de actividades económicas baseadas no património cultural subaquático, como a formação de guias turísticos, a inventariação de artefactos culturais e a elaboração de percursos de mergulho.

O seu principal objectivo é transformar o actual Centro de Arqueologia, Investigação e Recursos da Ilha de Moçambique (CAIRIM) num Centro Nacional de Excelência em Proteção e Investigação do Património Cultural Subaquático. Um objectivo a longo prazo é criar um Centro Regional Africano de Excelência e um Centro de Categoria 2 da UNESCO. Neste sentido, o projecto tem um objectivo sub-regional de médio a longo prazo.

As principais actividades abrangem:

  • sensibilização nacional e regional;
  • a restauração de salas;
  • a criação de um Museu de Naufrágios, de um Laboratório Científico e de uma Base de Mergulho;
  • capacitação e apoio institucional; e o
  • desenvolvimento de actividades económicas baseadas no património cultural subaquático, como a formação de guias turísticos, a inventariação de artefactos culturais e a elaboração de percursos de mergulho.

Slave Wrecks Project

A partir de 2013, a colaboração do Slave Wrecks Project em Moçambique desenvolveu-se e expandiu-se através de investigação contínua, formação e iniciativas de divulgação pública, com o foco principal na região da Ilha de Moçambique. Muitos dos programas e iniciativas que definem a abordagem característica do SWP a nível mundial surgiram desta colaboração duradoura e robusta em Moçambique. Isto inclui inovações no envolvimento da comunidade, na protecção do património, na educação pública, na formação profissional e no trabalho transformador em museus.

Sea Paths: Visualizing Underwater Cultural Heritage of Mozambique Island

Este projeto visa elaborar e divulgar o património cultural subaquático da Ilha de Moçambique junto de um público mais vasto através da plataforma ArcGIS Story Maps. Embora a investigação arqueológica e o envolvimento da comunidade local tenham aumentado nos últimos 10 anos na Ilha de Moçambique, ainda existem barreiras entre o património cultural subaquatico e um público mais vasto, incluindo muitas pessoas da comunidade local. Com base em pesquisas contínuas e iniciativas de envolvimento conduzidas por parceiros locais, nacionais e internacionais, este projecto irá desenvolver um Mapa de Histórias facilmente acessível que alargará o âmbito e o impacto deste património, geralmente inacessível, especialmente a uma maior parte dos residentes da Ilha de Moçambique e dos moçambicanos em geral.

A interação multicultural estabelecida ao longo de mais de 500 anos gerou um notável património cultural arquitetónico e imaterial na ilha de Moçambique – classificado como Património Mundial da UNESCO em 1991. Infelizmente, o património cultural subaquático da Ilha não foi incluído e, como resultado, foi impactado negativamente por actividades com orientações comerciais – caça ao tesouro – durante 14 anos. Apesar dos danos causados ​​no património cultural subaquático da Ilha de Moçambique, desde 2015 que têm sido feitos grandes esforços para estabelecer novos padrões científicos para as actividades de investigação e tornar o seu património subaquático visível para as comunidades científicas e locais.

Actualmente, apenas os mergulhadores têm uma apreciação visual do património cultural subaquático que rodeia a Ilha de Moçambique. Mas o trabalho que está actualmente a ser desenvolvido pelo Centro de Arqueologia, Investigação e Recursos da Ilha de Moçambique– (CAIRIM), em conjunto com a rede Slave Wrecks Project (SWP), em colaboração com o Departamento de Arqueologia e Antropologia (DAA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), realça a importância deste património e a forma como pode ser partilhado, apreciado e visualizado por mergulhadores e não mergulhadores. Este projecto desenvolve os primeiros esforços no sentido da visualização do património cultural subaquático em Moçambique, para mergulhadores, não mergulhadores e comunidade científica, através da plataforma Story Maps.

Investigação Documental e Arquivística

O CAIRIM alia a arqueologia à investigação documental e arquivística. Grande parte da pesquisa incide sobre a documentação do Conselho Ultramarino, preservada em Lisboa, no Arquivo Histórico Ultramarino, e também disponível em microfilme no Arquivo Histórico de Moçambique. Estes documentos originais registam as relações entre o Reino de Portugal, os governadores e capitães-gerais de Moçambique e os governadores provinciais — constituindo fontes únicas da história administrativa oficial, mas também da vida local e das suas comunidades.

A investigação estende-se ainda a outros acervos de referência, como a Torre do Tombo e a Biblioteca Nacional de Lisboa, complementada pela análise de bibliografia especializada. Este trabalho tem permitido mapear, localizar e identificar naufrágios ao longo da costa oriental de África — cerca de 400 apenas em Moçambique, entre os séculos XV e XIX —, mas também em outras regiões do mundo, como a África do Sul, o Brasil, Cuba e o Uruguai.

A investigação documental tem sido conduzida pela arqueóloga e investigadora Yolanda Teixeira Duarte, destacando-se, entre outros, os estudos sobre o naufrágio do São José Paquete de África(1794), na cidade do Cabo, na África do Sul, e do L’Aurore (1790), no recife da Cabaceira. Em parceria com o SWP e Afrorigens, o CAIRIM contribuiu também para a investigação da estadia em Moçambique do navio negreiro Camargo de São Francisco (1852).

Marine Cultural Heritage In Northern Mozambique (Rising From the Depths)

O norte de Moçambique fez parte da rede comercial do Oceano Índico a partir do século VII, o que deu origem a uma vibrante cultura marítima, viagens e trocas comerciais. O local mais conhecido é a Ilha de Moçambique, um importante porto para o comércio marítimo da África Oriental desde o século XIV. A sua diversidade arquitectónica foi reconhecida pela designação de Património Mundial da UNESCO em 1991. O reconhecimento dado à Ilha de Moçambique não foi, no entanto, alargado ao Património Cultural Marítimo, que no passado foi sujeito às actividades dos caçadores de tesouros.

Este projecto defendeo valor e o âmbito do património marinho e o reconhecimento do seu contributo para um ambiente saudável, bem-estar e resiliência da comunidade e sustentabilidade económica. As principais áreas de trabalho incluem um estudo subaquático do ambiente natural em mudanças rápidas como contexto do património cultural numa era de alterações climáticas. O projecto proporciona também formação sobre novos meios de envolver a comunidade com o património cultural marinho, técnicas de investigação e trabalho com escolas no registo e celebração do folclore marítimo. O projecto envolve uma equipa interdisciplinar que trabalha em parceria com arqueólogos marítimos do CAIRIM, bem como com grupos comunitários locais.

Shipwrecks Off The Island Of Mozambique (Mozambique – 2018) Octopus Foundation

A Ilha de Moçambique é um lugar lendário há muito esquecido. Desde o final do século XV, tornou-se um importante assentamento português, onde a maioria dos navios na rota marítima para a Índia paravam antes de atravessar o oceano. Hoje, um grupo de arqueólogos locais lutam contra os efeitos dos caçadores de tesouros para preservar o notável património histórico. Sob a sua supervisão, há centro que desenvolve programas de aprendizagem de arqueologia subaquática e um museu que está em fase de criação e inauguração para breve.